André Hassem, nomeado para o Imac, é réu em ação de improbidade e teve contas e bens bloqueados

Levantamento revela que o município de Epitaciolândia tenta numa ação de improbidade administrativa obter do ex-prefeito o ressarcimento de R$ 171 mil aos cofres públicos.

O ex-prefeito de Epitaciolândia, André Hassem, nomeado pelo governador Gladson Cameli (Progressistas) para ocupar o cargo de Presidente do Instituto de Meio Ambiente e Análises Climáticas do Acre (Imac), é réu em um processo movido pela própria procuradoria do município por improbidade administrativa. Além disso, o ex-prefeito é devedor de mais de R$ 32 mil em multas aplicadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre.

De acordo com minuta protocolada na Comarca do Município em outubro de 2017, André Hassem é acusado de não executar quatro convênios do programa Calha Norte, ligado ao Ministério da Defesa, e um convênio concedente da Funasa, ligada ao Ministério da Saúde, bem como a omissão na prestação de recursos federais recebidos.

A procuradoria de Epitaciolândia afirma que a conduta caracterizadora da improbidade verificou-se no período de 2012 a 2016, quando Hassem foi prefeito da cidade e teria deixado de realizar as prestações de contas dos convênios.

“A conduta do ex-gestor se configurou na omissão de praticar atos que viessem a desbloquear os valores que foram constritos judicialmente, contudo, o Município mesmo devidamente intimado para apresentar os meios judiciais necessários para resguardar o direito público nada o fez, por conseguinte, causando grave prejuízo ao erário. É da mais cristalina verdade que a gestão se encerrou em 31 de dezembro de 2016, portanto, dentro do prazo quinquenal previsto no art. 23, I, da Lei nº 8429 de 02 de junho de 1992”, revela trecho da petição.

Segundo a procuradoria de Epitaciolândia, o município ficou impossibilitado de receber recursos federais oriundos de convênios e emendas parlamentares na época, gerando grave prejuízo à sociedade.

Já em outra ação, André Hassem teve um débito não-tributário inscrito na dívida ativa do Estado do Acre, no valor total R$ 32.576,61, referente a multas aplicadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre.

O caso está sob análise da juíza de direito de Epitaciolândia, Joelma Nogueira, que estipulou prazo para que Hassem pague a dívida e, caso isso não ocorra, que as contas e bens do ex-prefeito sejam bloqueados.

A juíza já havia decretado, em março de 2017, a indisponibilidade dos bens do ex-prefeito em razão da denúncia do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), de que o ex-prefeito causou R$ 1 milhão de prejuízos ao município.

A ação também responsabiliza o ex-prefeito pelo descumprimento de um acordo celebrado com o Ministério Público, que impunha a ele a regularização da contratação de pessoas em desconformidade com os termos da Constituição Federal e o desligamento de todos que estivessem em situação irregular. O acordo foi celebrado em 2014.

Foi constatado, também, durante fiscalização do Ministério Público, e em processos da Justiça do Trabalho e outros da Justiça Estadual, que muitas pessoas permaneceram, ou foram contratas com vínculos irregulares, ou em desvios de função, totalizando dezenas de atos de descumprimento do termo antes assinado.

Com isso, foi proposta Ação Civil Pública de responsabilidade pela prática de ato de improbidade administrativa, tendo em vista que André Hassem dolosamente descumpriu os termos do ajuste, causando o pagamento da multa prevista no acordo, que, junto com a punição pela improbidade, chega hoje a pouco mais de um milhão de reais.

Segundo o promotor de Justiça de Epitaciolândia e autor da denúncia, Ildon Maximiano, o ex-prefeito assinou o termo de ajustamento, mas se esforçou em manter apadrinhados políticos. “Considerando que o município não pode arcar com este prejuízo, o Ministério Público pretende que o ex-gestor pague a quantia, impedindo que a sociedade arque com o ônus decorrente de sua dolosa ação de descumprimento da legislação”, contou Maximiano.

Além do ressarcimento, o Ministério Público estadual pretende que o réu tenha seus direitos políticos suspensos por até oito anos, seja proibido de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.

O prejuízo causado ao município, segundo a denúncia, é de R$ 340 mil. Somando-se a multa por improbidade, no valor de R$ 696,7 mil, chega-se ao prejuízo total de R$ 1.045.111,11.

Na semana passada, em frente ao Palácio Rio Branco, quando deu posse aos secretários de estado, Gladson Cameli fez um discurso em defesa da liberdade e pediu que a imprensa seja crítica para ajudá-lo a governar o Estado. O ponto alto do discurso do governador aos secretários foi quando se referiu à corrupção.

“Sejam corajosos! É preciso encarar de frente os problemas que podem atrasar o nosso estado: a corrupção, a falta de recursos e a acomodação ilusória da sensação de poder. Sejam honestos! Essa é mais que uma recomendação: é uma exigência! Poderão surgir tentações em seus caminhos. Não tolerem a corrupção. Porque eu não tolerarei os corruptos”, discursou Cameli.

Por Marcos Venicios / ac24horas