PT, PSB e PSOL debatem bloco de oposição a Maia para eleição da presidência da Câmara

Candidato à reeleição, presidente da Câmara já tem apoio de 12 partidos, entre os quais o PSL de Jair Bolsonaro. Legendas oposicionistas se reuniram na manhã desta segunda-feira (14).

Os presidentes de PT, PSB e PSOL se reuniram na manhã desta segunda-feira (14) para discutir se irão se juntar a algum bloco de oposição à candidatura à reeleição do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, explicou que a alternativa em estudo é de as siglas de oposição se unirem ao bloco articulado por PP e MDB com outros partidos do chamado “Centrão”.

Até o momento, 12 partidos já declararam apoio à candidatura do deputado fluminense na eleição que definirá, em 1º de fevereiro, o presidente da Câmara pelos próximos dois anos.

Nesta segunda-feira, a presidente do PT, deputada eleita Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que não houve nenhuma decisão concreta, mas ficou acertado que os partidos manterão contato ao longo das próximas semanas.

Inicialmente, integrantes da oposição sinalizaram que iriam embarcar na candidatura de Rodrigo Maia, que tenta conquistar o terceiro mandato para o comando da casa legislativa.

No entanto, as negociações entre os partidos de esquerda e Maia azedaram depois que o presidente da Câmara costurou um acordo com o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. O PSL é dono da segunda maior bancada da futura legislatura, com 52 deputados, atrás apenas do PT, que terá 56 deputados a partir de fevereiro.

Em troca do apoio do partido de Bolsonaro, Maia prometeu ao PSL, caso ele consiga se reeleger, cargos na Mesa Diretora e no comando de comissões. Além da presidência da Câmara, estão em disputa duas vice-presidências e quatro secretarias.

“Existe essa articulação para o ‘blocão’ de oposição a Maia, em que PT e PSOL também estarão, provavelmente. Conversamos um pouco sobre isso. E eu acho que o caminho é esse: haver um bloco de oposição. Tem o bloco do governo, liderado pelo Maia, e nós termos o nosso bloco de oposição”, declarou o presidente do PSB.

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, disse que, embora seja favorável à formação de um bloco de oposição a Maia, a legenda não tem condições de apoiar nenhum dos candidatos que tentam se viabilizar dentro do “blocão”, como os deputados Fábio Ramalho (MDB-MG) e Arthur Lira (PP-AL).

Medeiros defendeu que a esquerda tenha um candidato próprio e sugeriu o nome do deputado eleito Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

“Apresentamos a proposta de unidade de todos os partidos de oposição a Maia, que virou candidato do Bolsonaro. A ideia foi vista com simpatia por PT e PSB, mas eles estão debatendo ainda o tema”, ressaltou Medeiros.

Bloco sem o PT

O avanço da articulação contra Maia dependerá do rumo das negociações entre PSB, PDT e PCdoB para construir um bloco de oposição que deixe o PT de fora. Desde o fim do ano passado, os três partidos costuravam um bloco oposicionista na Câmara sem a participação de petistas.

No entanto, PDT e PSB, após reunirem suas bancadas nos últimos dias, chegaram a indicativos opostos. Os pedetistas estão dispostos a apoiar Maia, enquanto a maioria dos deputados do PSB vêem essa alternativa como inviável em razão do apoio do PSL ao atual presidente da Câmara.

Já o PCdoB irá se reunir nesta terça-feira (15) para definir sua posição, informou o líder comunista na Câmara, deputado Orlando Silva (SP). Somente depois deste encontro é que os líderes de PDT, PSB e PCdoB vão decidir como irão atuar em 2019.

“Somos três [partidos]. Se tiver dois de um lado, qualquer que seja, fica majoritário. Mas temos que encontrar uma maneira de não nos dividirmos neste processo”, ponderou o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Segundo ele, a bancada do PDT na Câmara avalia que, embora Maia tenha o PSL entre seus aliados, conseguirá manter independência em relação ao governo.

“É amplamente majoritário [na bancada] de que ele [Maia] tem condições de ser um presidente independente do governo, mesmo tendo apoio do PSL, porque já demonstrou na prática essa independência”, opinou Lupi.